Respostas para Dependências e problemas de Saúde Mental
Garantimos ligação a uma extensa Rede de Cuidados Profissionais
Explicação dos Tratamentos em Ambulatório
Psicólogos: Suporte Emocional e Cognitivo
Os psicólogos desempenham um papel crucial ao ajudar os pacientes a compreenderem os padrões de pensamento e comportamento que sustentam a dependência. Através de terapia individual ou em grupo, promovem mudanças duradouras.
Psicoterapeutas: Terapias Profundas e Transformadoras
Os psicoterapeutas ajudam a explorar questões emocionais mais profundas que podem estar na raiz da dependência. Utilizam abordagens como a terapia cognitivo-comportamental para promover o bem-estar emocional.
Conselheiros: Orientação e Planeamento Personalizado
Os conselheiros apoiam os pacientes na definição de metas e na construção de estratégias para lidar com desafios diários, ajudando na reintegração social e na manutenção do tratamento.
Psiquiatras: Gestão Médica Especializada
Os psiquiatras avaliam e tratam os aspetos biológicos da dependência, podendo prescrever medicação para auxiliar no controlo de sintomas e promover a estabilidade.
Abordagem Multidisciplinar: Equipas de Excelência
A união destes profissionais permite um tratamento integrado e eficaz, adaptado às necessidades específicas de cada paciente, garantindo melhores resultados.
Vantagens dos Tratamentos em Ambulatório com profissionais dedicados
Melhoria do Bem-Estar Geral
Os tratamentos em ambulatório promovem equilíbrio emocional e físico, restaurando a saúde e a qualidade de vida.
Redução de Impactos na Rotina Familiar
Este modelo permite que os pacientes recebam tratamento sem se afastar das suas responsabilidades familiares e sociais.
Fortalecimento de Laços Familiares
As terapias promovem a compreensão e apoio mútuo, reforçando relações familiares e eliminando barreiras emocionais.
Apoio Contínuo e Proximidade
O tratamento em ambulatório permite acompanhamento regular, assegurando o progresso sem a necessidade de internamento.
Reintegração Social Mais Rápida
Este tipo de tratamento capacita os pacientes a retomarem as suas vidas ativamente, reduzindo o estigma associado à dependência.
O nosso processo
Identificação do Problema
Análise precisa para orientação individualizada.
Estratégias Personalizadas para Tratamento
Criamos soluções adaptadas às necessidades individuais.
Acompanhamento e Apoio Familiar
Que profissionais oferecem os seus serviços em regime ambulatório?
Existe um grupo de especialistas em tratamento de dependências e de saúde mental, que oferecem os seus serviços através de soluções de ambulatório:
- Psicólogos
- Psicoterapeutas
- Conselheiros / Counsellors
- Psiquiatras
Como atuam os profissionais com serviços em ambulatório?
Para que qualquer solução de tratamento possa ser vir a ser eficaz, o profissional começa por fazer uma avaliação da real situação da pessoa, procurando saber:
- Há quanto tempo existem consumos de substâncias/comportamentos aditivos;
- Quais são e que quantidades (substâncias);
- Quais são e que regularidade existe (comportamentos);
- Que motivações existirão que tenham conduzido à situação de dependência;
- Que tipo de apoio e suporte familiar existe;
- Que tipo de integração social, laboral e/ou escolar existe.
- Situações de saúde mental, muito em comum, mais sobre episódios agudos;
- Situações de saúde mental, qual a medicação, dosagens e toma.
Se considerarem que existem condições para definir e desenvolver um plano de tratamento, estes profissionais, procurarão aplicar diferentes técnicas, abordagens e ferramentas terapêuticas.
Numa primeira fase, quer-se ajudar quem necessita de apoio especializado, a interromper o agravamento da situação que conduziu à procura de ajuda, principalmente, através de uma intervenção psicoterapêutica.
Essa intervenção psicoterapêutica inclui:
- Intervenções devidamente planeadas e estruturadas;
- Meios verbais e não verbais (tratamento pode ser combinado com medicação);
- Estas ações terapêuticas procuram influenciar/alterar o comportamento da pessoa, ou seja, o humor e as respostas emocionais mais habituais;
- Os principais objetivos da terapia passam por eliminar o sofrimento interno que leva a pessoa a dissociar (através de consumos ou comportamentos);
- Ajudar a adquirir competências para lidar com situações do dia a dia das quais há uma tentativa de fuga (com substâncias ou comportamentos destrutivos).
Consultas presenciais em regime ambulatório
Estas intervenções psicológicas, quando feitas de forma presencial, devem ser realizadas em ambiente clínico:
- consultório particular;
- centro de consultas;
- clínica;
- hospital;
- centro de dia;
- centro de desintoxicação.
Que trabalho é feito por estes profissionais especializados?
- (1) Principalmente ouvir, sendo uma das partes mais importantes da terapia: escutar o que a pessoa tem a dizer sobre sua vida afetiva, emocional, comportamental e a sua história pessoal e familiar.
- (2) Depois, em conjunto com o paciente, encontrar as razões pelas quais este comportamento destrutivo acontece, investigando as questões a nível pessoal, social, ou familiar da pessoa.
- (3) Detetados os gatilhos que conduzem à situação, deve estabelecer-se um plano que permita ao paciente ter as ferramentas adequadas para evitar esses comportamentos destrutivos e consiga enfrentar o problema que está na origem dos mesmos. Algumas das práticas utilizadas passam pela resolução de problemas interpessoais, revisão de crenças negativas, relaxamento e respiração, treino de competências sociais, entre outras.
Porquê visitar um profissional de ambulatório depois de uma desintoxicação ou internamento agudo?
A dependência é considerada uma doença crónica e com uma alta probabilidade de recaída, isto é, logo após a desintoxicação esse risco aumenta.
Devemos saber os diferentes níveis de um tratamento, percebendo que cada processo é único com os resultados também a poderem variar da equipa que realiza o tratamento anterior.
Quais as etapas habituais em tratamentos para CAD ou Saúde Mental?
Um tratamento, principalmente para CAD, mas também para algumas situações envolvendo problemas de doença mental, para poder ser considerado completo e analisado no médio/longo prazo, envolve as seguintes etapas:
- Desintoxicação / Estabilização Psiquiátrica
- Internamento
- Reinserção / Reintegração
- Manutenção
(1) Desintoxicação / Estabilização Psiquiátrica:
- Nos casos em que seja necessário, é considerada uma etapa crítica e importante pela necessidade de assistência médica, inicialmente quase permanente, para a eliminação das substâncias no organismo.
- Nesta fase, as pressões dos sintomas de abstinência podem levar à interrupção do processo e existir uma recaída. Dependendo do sítio e da situação, a desintoxicação pode durar entre 7 e 10 dias (rápidas) até 21 e 30 dias (normais).
(2) Internamento:
- Muitas vezes, o trabalho com o paciente começa antes da admissão no centro de desintoxicação, explicando a necessidade de seguir um plano em várias etapas, dado que a decisão tem de ser voluntária.
- Há a necessidade de assistência, ainda em ambiente protegido, por um tempo determinado, com apoio permanente de uma equipa multidisciplinar, permitindo que fique afastado de situações e/ou pessoas que incentivem ou facilitem o acesso a substâncias ou comportamentos prejudiciais à sua saúde.
- Esta solução é apresentada quando há uma grande desconfiança que o paciente tenha a autonomia necessária, podendo ser referenciado por outros profissionais, sendo normalmente efetuada em centros de tratamento, clínicas, hospitais ou comunidades terapêuticas.
- A duração destes internamentos, pode variar de 30 a 90 dias ou mesmo situações que podem atingir ou superar um ano de tratamento.
(3) Reinserção/Reintegração:
- A ideia é o paciente começar a ter um contato mais regular com a sociedade, praticando e desenvolvendo novas competências para se conseguir relacionar e viver sem a necessidade de voltar a consumir ou efetuar comportamentos destrutivos.
- Os centros de dia e os apartamentos de reinserção, podem ser uma das soluções utilizadas nestes casos. A duração do tratamento pode ser variável em função das necessidades do paciente, mas poderá ir de 6 meses a 1 ano.
(4) Manutenção:
- A adição é uma doença crónica, mas também muitas das situações envolvendo a doença mental, aconselham que se deva procurar e manter um acompanhamento próximo e continuado, depois de uma intervenção em fases mais graves ou agudas.
- O paciente deverá tentar manter algum tipo de processo terapêutico, com alguma regularidade, para ser ajudado a enfrentar situações emocionalmente desafiantes, a reforçar ferramentas já trabalhadas anteriormente e para poder enfrentar momentos de maior risco e incerteza com probabilidades mais altas de ter sucesso, mantendo-se limpo e equilibrado.
- Normalmente as soluções passam por unidades de ambulatório e profissionais de saúde, como psicólogos e psicoterapeutas, para o paciente poder receber terapia individual e em alguns casos de grupo, ajudando-o a consolidar o seu novo estilo de vida e os novos padrões psicológicos e emocionais.
- A frequência das sessões dependerá de cada caso e das possibilidades de cada pessoa ou família.
A Manutenção é a etapa chave dos profissionais de ambulatório?
A etapa de manutenção, em muitas situações, é considerada uma etapa-chave, ou seja, é absolutamente decisiva, sendo esse o momento em que estes profissionais de ambulatório costumam intervir. No caso da dependência, é muito difícil parar de consumir ou deixar de repetir determinado tipo de comportamentos de um dia para o outro.
É aquilo que se define por craving, isto é, um forte desejo de repetir uma determinada experiência em função dos efeitos obtidos. Esses impulsos, ou seja, um intenso desejo de utilizar substâncias, comida ou um comportamento, irão aumentar os níveis de serotonina e endorfina, proporcionando uma sensação de prazer imediato.
Em função do já assinalado nas fases anteriores, é altamente aconselhável que a pessoa faça algum tipo de terapia de “manutenção”, mantendo-se atenta e com a guarda erguida. Esse processo permite um trabalho constante de crescimento pessoal, aprendendo técnicas e competências para sustentar a abstinência, sabendo lidar melhor com pensamentos que envolvam uma potencial recaída.
Como é que os profissionais de ambulatório efetuam uma avaliação? Utilizam várias ferramentas para conhecer melhor a personalidade da pessoa tais como:
- Entrevista clínica,
- História médica,
- Testes,
- Questionário,
- Diário de Pensamentos e Emoções do Paciente.
Que terapias ou abordagens existem e são utilizadas pelos profissionais de ambulatório?
Normalmente, os profissionais trabalham a partir de um ou mais dos vários modelos que foram surgindo entre o final do Séc. XIX e, principalmente, o Séc. XX. Esse é o momento em que a Psicologia se começa a afirmar de forma independente da Filosofia, procurando entender e abordar o tratamento do comportamento humano.
Esses referenciais teóricos definem as técnicas de interação com o paciente para enfrentar e tentar resolver os seus problemas. Essas diferentes técnicas da psicoterapia vão sendo agrupadas em diversos modelos ou escolas de pensamento:
- Psicoterapia:
- Estruturalismo / Associacionismo / Experimental:
- Funcionalismo:
- Behaviorismo / Comportamentalista:
- Psicologia da Gestalt – Gestalt-terapia
- Psicanálise / Psicodinâmica
- Construtivismo / Interacionismo
- Humanista
- Cognitivo-Comportamental
- Sistémica
- Experiência Somática
Apesar de existirem cada vez mais altos níveis de especialização, a tendência dos melhores profissionais é de combinar e integrar técnicas de diferentes modelos. Abrir o tratamento para diversas ferramentas terapêuticas, independentemente de onde elas vêm, pode ser benéfico para o paciente, de acordo com suas características e necessidades.
Os problemas tendem a ser multidimensionais, afetando vários aspetos da pessoa, assim, para tornar a terapia o mais eficaz possível, poderá e deverá incluir-se componentes de diferentes escolas de psicoterapia.
Quais são os 11 principais modelos ou escolas de pensamento da psicologia atual?
Psicoterapia
É um tratamento para problemas de natureza emocional, em que o técnico é treinado para estabelecer de forma deliberada, uma relação profissional com um paciente. Procura eliminar, modificar ou retardar sintomas existentes, mudar padrões alterados de comportamento e promover o crescimento e desenvolvimento positivo da personalidade.
Em Portugal, a psicoterapia foi definida como uma das especialidades avançadas, com o Regulamento Geral de Especialidades Profissionais da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), a referir que o reconhecimento para o seu exercício enquanto prática de intervenção psicológica, terá de ser feito pelas 22 Associações e Sociedades protocoladas que realizam formação nesta área de especialização. Houve uma uniformização de critérios de formação, para garantir/obrigar a um mínimo de 400 h de formação teórico clínica, 150 h de supervisão de casos de psicoterapia e 100 horas de psicoterapia ou desenvolvimento pessoal.
SABER MAIS – Aqui – Ordem dos Psicólogos – OPP – Psicoterapia
Estruturalismo / Associacionismo / Experimental
Surge no final do séc. XIX (1878-1890), tendo como pessoas mais eminentes, Wilhelm Wundt, Ernst Weber e Gustav Fechner. Estudou a consciência humana, em particular as experiências sensoriais, procurando seguir as pisadas do modelo da química, ou seja, qualquer substância é composta por átomos que formam moléculas.
Partindo deste pressuposto, tenta desagrupar a mente, a consciência nos seus elementos mais simples, isto é, as sensações, os elementos básicos da consciência e a maneira como eles interagem uns com os outros. Eles mais não são que uma experiência consciente, tentando perceber como se relacionam e associam ou estão estruturados. No fundo, procura isolar todas as partes envolvidas e perceber de que forma estas se relacionam entre si.
Objeto: estrutura da consciência / associação dos processos mentais identificados
Método: Introspeção (auto-observação)
Funcionalismo
Surge no início do séc. XX, como uma reação às teorias da escola estruturalista tendo sido fortemente influenciado pela obra de William James, mais tarde professor na Universidade de Harvard. Não havia, propriamente, a ambição de criar outra corrente de psicologia, mas sim tentar ultrapassar as limitações do estruturalismo.
Não se foca em estudar as diferentes componentes da mente, mas sim compreender os processos mentais, ou seja, saber como operam as funções psicológicas para então utilizar esses conhecimentos de forma prática na resolução de questões do dia a dia. Querem saber como é que esse aglomerado de funções ou processos, provocam consequências práticas no mundo real, isto é, nas ações das pessoas, querendo retirar alguma utilidade do aprofundar destes conhecimentos.
Objeto: Consciência & Introspeção (fenómeno = experiência imediata)
Método: Introspeção (auto-observação)
Behaviorismo / Comportamentalista
Surge na primeira metade do séc. XX, tendo como faces mais conhecidas Edward Thorndike, Ivan Pavlov, John Watson e Burrhurs Skinner. Esta corrente afirma que o único objeto de estudo da psicologia deverá ser o comportamento observável, suscetível de ser medido e controlável cientificamente, como sucede com as ciências naturais.
Defendem que a aprendizagem é uma modificação do comportamento que acontece devido a um estímulo proveniente do meio envolvente, ou seja, tem de existir uma ligação entre estímulos e respostas. A isto irão dar o nome de Condicionamento Operante: se uma resposta obtiver compensação será fortalecida e tenderá a manter-se, significando que a aprendizagem depende de consequências que condicionam a repetição ou a interrupção desse mesmo comportamento.
A teoria irá apoiar-se na identificação de 3 tipos de reforços: 1- Reforço Positivo (consequências-feedback agradáveis / mantém ou fortalece); 2- Reforço Negativo (não desejadas / enfraquece e orienta à mudança); 3- Punição (desagradáveis / reduz probabilidades e orienta para a cessação).
No fundo, defende-se a utilização de recompensas, como alternativa à repressão, por serem mais eficazes pedagogicamente. De referir, igualmente, as experiências de Pavlov que se tornaram mundialmente famosas, ao expor que para além dos reflexos inatos, se podem desenvolver, reflexos aprendidos, isto é, quando apareciam outros sinais associados à situação, observava-se uma resposta.
Objeto: Comportamentos (eventos observáveis)
Método: Observação / medição
Psicologia da Gestalt / Forma
Surge em meados do séc. XX, tendo como principais impulsionadores Wolfgang Köhler, Max Wertheimer e Kurt Koffka. Esta palavra alemã significa “forma, padrão ou todo” e esta teoria vem opor-se às teorias anteriores, particularmente à ideia de separar os processos mentais nos seus componentes mais simples.
No fundo, inverteram o processo explicativo, já que acreditavam que a psicologia deveria estudar a experiência humana como um todo, não em termos de elementos separados. As partes, sem a organização que o todo lhes confere, seriam elementos sem significado, já que só a partir dessa visão global e análise de conjunto, se consegue compreender e tornar visíveis os padrões, a organização e configuração das estruturas que vão proporcionar um verdadeiro significado às experiências.
Quer-se identificar e perceber como é que essas leis organizam os elementos percetivos, partindo do princípio de que a perceção dos objetos é diferente da perceção do somatório dos elementos que o constituem, que primeiro vem a perceção do todo e só depois das partes. O todo não é a soma das partes, na realidade, elas organizam-se segundo determinadas leis. Acreditam que esta capacidade é, em larga medida, de natureza inata, não aprendida e que o contexto (meio social e ambiental) em que ocorrem os fenómenos psicológicos é também ele fundamental para a sua compreensão.
A gestalt-terapia irá surgir a partir das décadas de 40 e 50 do séc. XX, é fortemente impulsionada por Fritz Perls que acaba por se tornar a face mais conhecida desta abordagem que é diferente da Psicologia da Gestalt à qual também irá buscar influências. Há um conjunto de ideias e princípios que a vão caracterizar: princípio holista; experiência no momento atual, ou seja, no aqui e agora; procura da auto-regulação; atingir o auto-apoio; consciência; autoestima; autoconceito.
O gestaltismo (psicologia e terapia), como corrente, para além de ter dado um contributo relevante à construção da Psicologia como ciência, ainda assiste à preservação da visão do indivíduo e das suas experiências como um todo e de continuar a ser amplamente praticada nos dias de hoje.
Objeto: Perceção & Cognição / O Todo como algo mais que a soma das partes / Aqui e Agora
Método: Contato / Self
Psicanálise / Psicodinâmica
Surge na primeira metade do séc. XX com os nomes de Sigmund Freud e Carl Jung a destacarem-se claramente. Uma das suas principais características foi procurar perceber a influência da mente inconsciente no comportamento do individuo e apresenta a mente humana (psiquismo), como sendo constituída por três elementos que interagem entre si:
- Id (instintos mais primitivos);
- Ego (personalidade que interage na realidade);
- Superego (ideais, valores, educacionais e culturais).
A mente consciente não controla todos os comportamentos, procurando-se trazer luz às interações que estão ocultas nessa relação entre comportamentos e os processos mentais, com o propósito de ajudar a resolver conflitos causadores de sofrimento psicológico. Através da analogia do icebergue, explica-se que o consciente corresponde à parte visível e o inconsciente à parte submersa, dando conta do desconhecimento e da sua enorme dimensão.
Defendem que nesse inconsciente existem desejos, pulsões, tendências e recordações recalcadas, fundamentalmente de carácter sexual ou de agressividade e apresentam diferentes mecanismos do ego para além do recalcamento:
- Racionalização-Intelectualização: (evitar inferioridade)
- Projeção: (atribuir ao outro, comportamentos, sentimentos, desejos tidos como inaceitáveis)
- Deslocamento: (libertação por substituição descarregando tensões acumuladas)
- Regressão: (adotar conduta de estádios anteriores que traziam segurança)
- Compensação: (defesa da inferioridade adotando comportamentos contrários)
- Sublimação: (substitui objeto das pulsões para se manifestar de forma socialmente aceitável)
Objeto: Mente inconsciente / Id, Ego, Superego / Comportamentos complexos
Método: Análise (sonhos, neuroses)
Construtivismo / Interacionismo
Surge e afirma-se na segunda metade do séc. XX, através de Jean Piaget, como uma reação às limitações do empirismo behaviorista e do inatismo da gestalt. O seu trabalho acabou por ficar mais conhecido por questões relacionadas com o desenvolvimento mental na infância até à adolescência. Os níveis de maturação da criança foram divididos, em quatro estádios de desenvolvimento cognitivo:
- Sensório-motor (0-2 anos);
- Pré-operatório (2-7);
- Operações concretas (7-11);
- Operações formais (11-12 anos).
Vai procurar saber como é que o conhecimento se estrutura e organiza, defendendo que é um processo interativo de construção progressiva entre sujeito e meio físico e social. Afirma que o desenvolvimento intelectual e moral não depende exclusivamente do meio nem do património genético herdado, porque o sujeito, como elemento ativo através das suas ações, tem um papel na construção do conhecimento e da sua personalidade.
Este modelo defende que o ser humano, desde que nasce até à maturidade, é uma construção progressiva, baseado numa autoconstrução de estruturas cognitivas em interação constante com o meio natural, social e cultural e que se vai alterando, obrigando-o a um esforço de adaptação permanente. É a partir desta premissa que irá dar muita relevância à psicologia educacional pelo fato de esta ativar o desenvolvimento psicológico no auxílio do seu caminho/percurso de maturação enquanto individuo.
Outro conceito importante que permanece até à atualidade, é que o comportamento é uma resposta que varia em função da interação entre a personalidade do sujeito e a situação, ou seja, qual a influência da personalidade naquela situação e qual a influência de situações anteriormente vividas na formação dessa personalidade.
Objeto: Interação fatores endógenos (sujeito) e exógenos (meio físico e social) / adaptação
Método: clínico / observação / psicologia educacional / exposição e repetição de tarefas
Humanista
Surge na década de 50 do séc. XX, impulsionada por Abraham Maslow e Carl Rogers. Existiam um conjunto de profissionais que não se sentiam totalmente satisfeitos com o rumo que a psicologia estava a tomar, particularmente pela visão determinista que a psicanálise e o behaviorismo-comportamentalismo defendiam.
Existem alguns pontos distintivos nesta corrente, um deles é a maneira como a psicologia passará a estar ligada à ética e ao conceito de ser humano. O outro defende que a sua função deverá também passar por tentar ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas e a ficarem numa situação, pelo menos, melhor do que antes da intervenção psicológica.
Há uma visão positiva do ser humano, que ele é livre de tomar as suas próprias decisões e que, ao contrário da psicanálise que se centrava nas anomalias e só procurava atenuar os problemas, esta intervenção deve procurar apoiá-lo a atingir o seu máximo potencial.
As principais críticas apareceram por causa do valor dado aos aspetos subjetivos, ao que não se conseguia medir e, por conseguinte, comparar e alargar a uma análise mais geral. Apesar de tudo, atualmente, continua a ser popular e a influenciar outras áreas da psicologia, como por exemplo a psicologia positiva, que procura deliberadamente ajudar as pessoas a viverem uma vida mais feliz e mais compensadora.
Objeto: Subjetividade do ser humano / crescimento pessoal / autorrealização
Método: Terapia Centrada no Cliente-Paciente-Doente
Cognitivo Comportamental
Surge no início dos anos 60 do séc. XX, destacando-se o trabalho de Aaron Beck, no desenvolvimento da Terapia Cognitivo Comportamental, conhecida em inglês pelo seu famoso acrónimo, C.B.T. – Cognitive Behavioral Therapy.
Vai combinar alguns conceitos do behaviorismo-comportamentalismo com teorias cognitivas, procurando, como ponto de partida, conhecer melhor e tratar depressões e depois vai-se alargando a outros transtornos psicológicos e emocionais. É, provavelmente, a terapia mais habitualmente utilizada e considerada e aceite por muitos, como a mais eficiente no tratamento da ansiedade, de questões psicossomáticas, transtornos alimentares, fobias, traumas, ou de dependências químicas e comportamentais.
A forma como interpretamos qualquer acontecimento e como isso nos irá afetar, isso é que é relevante, não a situação em si mesma, ou seja, aquilo que poderá causar uma reação de desconforto, tristeza ou sofrimento. A partir daí, procura-se identificar os padrões de comportamento, pensamento, das crenças subjacentes e dos hábitos que estão na génese dos problemas, para então mostrar técnicas ou soluções que ajudem a mudar essas perceções de negativo para positivo.
Esta terapia quer ajudar a mudar os sistemas de interpretação do paciente para que ele possa alterar as suas emoções e comportamentos em relação às situações disfuncionais identificadas e, assim, conseguir adaptar-se melhor à sua realidade pessoal, familiar e social. Este trabalho faz-se definindo objetivos e metas para que, à sua velocidade, o paciente ganhe autonomia e, no fundo, é esta reestruturação cognitiva e comportamental que irá dar origem ao nome.
O reconhecimento que esta abordagem foi ganhando nas últimas décadas, faz com que a sua aplicação se fosse estendendo a muitas outras áreas. Ou seja, hoje é utilizada para dificuldades nos relacionamentos, na ajuda às opções profissionais, às situações de luto, de separações, de perdas, stresse, dificuldades de aprendizagem, ou mesmo apenas na procura de desenvolvimento pessoal.
Objeto: Subjetividade do ser humano / crescimento pessoal / autorrealização
Método: Terapia Centrada no Cliente-Paciente-Doente
Sistémica
A teoria geral de sistemas de Ludwig von Bertalanffy, surge entre os anos de 1950 e 1968. Ambicionava criar teorias e conceitos que depois pudessem ser aplicados na realidade, sendo uma ajuda para as ciências sociais ultrapassarem algumas das suas limitações na comparação com as ciências naturais.
Realçará as propriedades do todo devido à importância da interação, ou seja, da interdependência entre os elementos que compõem o sistema. Por exemplo, parte-se de pessoas individuais, que têm diferentes relações em diferentes coletivos (familiar, social, profissional), que irão ser classificados como sistemas.
Os alicerces da terapia sistémica consolidam-se com Gregory Bateson, Donald Jackson, Jay Haley e Paul Watzlawick e as experiências efetuadas no Hospital de Palo Alto na Califórnia entre 1953 e 1963. Daqui podemos destacar a teoria de duplo vínculo (double bind), associada a estudos com doentes com esquizofrenia e a sua relação com as mensagens recebidas de carácter contraditório que levam a um conflito.
Com a teoria da comunicação, procura-se resolver este dilema, afirmando-a como um elemento-chave para a evolução e o sucesso de qualquer processo terapêutico. Com esta abordagem, passa-se de uma visão direta, tradicional que considera o individuo de forma isolada, para uma conceção sistémica, inserindo-o num contexto mais alargado da família e da comunidade.
A terapia familiar e a terapia de casal, são um bom exemplo do que normalmente reconhecemos como abordagem sistémica, sendo o resultado desse aprofundamento que se iniciou há muitas décadas.
SABER MAIS – Aqui – Acta Médica Portuguesa – 1984
Objeto: Definição-interação de sistemas / Comunicação / Duplo vínculo / Enquadramento
Método: Terapia familiar / intervenções verbais / instruções
Experiência Somática / Somatic Experience
Foi desenvolvida por Peter Levine a partir da década de 80 do séc. XX, sendo considerada uma abordagem de última geração, altamente inovadora e mesmo apelidada de revolucionária por alguns. Tem uma base naturalista e neurobiológica orientada para o corpo ocupando-se, principalmente, de traumas e outros transtornos relacionados com o stresse.
Procura dar ou devolver, auto-regulação, relaxamento, integridade e vitalidade e como terapia de orientação corporal, procura perceber as relações e ligações entre corpo-cérebro-mente, apoiando-se no que se conhece de mais recente a nível da neurociência. A esse propósito, os estudos da Teoria Polivagal de Stephen Porges, sobre o sistema nervoso autónomo, colocam, pela primeira vez em cima da mesa a questão do nervo vagal.
Pouco a pouco, temos assistido a uma aplicação desta teoria nos domínios da educação, desenvolvimento infantil, saúde mental, saúde física, ambientes de trabalho e instituições sociais, permitindo o alargamento da nossa base de análise e compreensão. A terapia tradicional aborda apenas os efeitos do trauma na mente através do diálogo estabelecido, deixando de fora as experiências sensoriais.
No caso da Experiência Somática ou SE (Somatic Experience) em inglês, parte-se do pressuposto que todos os seres humanos, têm uma capacidade inata para superar os sintomas de PTSD (stress pós-traumático), mesmo crónico, ou outros relacionados com traumas. Progressivamente, a utilização desta terapia vai sendo considerada como altamente eficaz na abordagem e tratamento destas questões, uma vez que ela procura ajudar a equilibrar este processo altamente complexo.
Por um lado, vai utilizar a fala como meio para aceder e permitir a consciencialização das experiências traumáticas e das memórias implícitas que se encontram “congeladas” no corpo. Por outro lado, de forma paralela, foca-se também nessas sensações internas e músculo-esqueléticas do corpo, por considerar que o trauma não é apenas causado pelo evento traumatizante em si, mas sim pela incapacidade do corpo e da mente em processar o acontecimento.
A parte nova da equação, é o corpo ganhar consciência do trauma e para conseguirmos regenerar-nos dessas situações, teremos de conseguir libertar a energia bloqueada no corpo. É necessário ir à raiz dos sintomas do trauma, começando então de forma suave e progressiva, a desenvolver uma tolerância crescente às sensações corporais difíceis e às emoções reprimidas.
A nossa racionalização e as normas sociais vigentes, levam a que guardemos esses sentimentos, sobrecarregando o sistema nervoso. Nos padrões de resposta face à perceção do perigo, o trauma está associado ao congelamento, quando não existe um desfecho natural completando o ciclo. Ou seja, a carga energética não segue o seu curso e permanece presa, do ponto de vista do corpo, continuando a transmitir-lhe que permanece sob ameaça.
Este método quer libertar a energia armazenada e desligar esse alarme de perigo que provoca uma séria desregulamentação e dissociação, ajudando as pessoas a compreender esta resposta corporal ao trauma que começa por uma abordagem de “o corpo primeiro”. Só assim será possível encontrar o caminho para libertar o choque traumático e as feridas do trauma de apego emocional e de desenvolvimento precoce.
Vai passar a oferecer uma estrutura para avaliar onde é que a pessoa se encontra “presa”, para além de fornecer ferramentas clínicas para resolver estes estados fisiológicos fixados e desorganizados. Possibilita que exista um processo de renegociação do trauma, procurando ajudar o sistema nervoso central a sair da fixação e a conseguir encontrar um novo ritmo que seja mais saudável para a pessoa.
Permite que esteja mais sintonizada consigo própria, com os outros e com o mundo, sendo mais fácil atingir a integridade e a regulação. Se essas defesas que estão memorizadas/fixadas no corpo, não forem resolvidas, irão continuar a provocar dificuldades, tais como comportamentos pouco funcionais e crenças desajustadas que limitam a plenitude e a qualidade de vida de qualquer ser humano.
Há um conjunto de intervenções somáticas que são utilizadas para ajudar a acalmar o sistema nervoso e apoiar o processo de tratamento:
- Desenvolver a Consciência Somática: do corpo para criar mudanças / identificar áreas de tensão e opressão / pensamentos, sentimentos e comportamentos que promovem sensações de calma e segurança.
- Recursos – Resourcing: fortalecer sensação de estabilidade e segurança / pessoas significativas / experiências / espaços seguros / figuras protetoras / âncoras para repor energia.
- Aterrar-Aqui & Agora – Grounding: capacidade de estar ligado / integrado / acalma e regula SNC.
- Linguagem Descritiva: proximidade e descrição precisa das palavras / aprofunda experiência / movimentar pela parte corporal / facilita identificação de sentimentos e sensações.
- Movimento: ultrapassar experiências difíceis, insegurança, emoções intensas / gestos / postura / volume de voz / aceder pela combinação com o movimento.
- Co-regulação & Auto-regulação: acalmar na ligação com o outro / acalmar com as nossas ferramentas / combinação de ambas.
- Titulação – Titration: conseguir experimentar pequenos níveis de angústia ou dor / procurar libertar e descarregar tensões do corpo.
- Pendulação – Pendulation: utilizada para chegar à titulação / processo de oscilar a atenção e foco entre o conteúdo stressante e doloroso e algo que tenha um efeito calmante.
- Ato de Triunfo: utilizado no trabalho sensório-motor / aliviar os aprisionamentos emocionais pela via de completude corporal / enfrentar sensações corporais para as enfraquecer / estabelecer limites / desligar as células dos eventos negativos.
- Sequenciamento – Sequencing: processo de libertação de tensão acumulada no corpo / há uma sequência própria / experiência de ligação.
- Estabelecer Limites: ir conhecendo os seus limites / proteção / permitir estabilidade.
Objeto: Corpo
Método: Relação com o corpo / pesquisa empírica
Perguntas Frequentes
Um tratamento em ambulatório permite que os pacientes recebam apoio profissional sem a necessidade de internamento, mantendo as suas rotinas diárias.
Indivíduos que lutam com dependências ou questões emocionais podem beneficiar deste modelo flexível e adaptado às suas necessidades.
A avaliação é conduzida por uma equipa multidisciplinar que analisa o histórico clínico e define o plano de tratamento mais adequado.
A frequência varia conforme o plano de tratamento individual, podendo incluir sessões semanais ou quinzenais.
Promove o apoio mútuo, reduz tensões familiares e educa os membros sobre como ajudar na recuperação do paciente.
Conclusão
Recorrer a serviços especializados em tratamentos de ambulatório é uma decisão que transforma vidas. Permite aos pacientes encontrarem equilíbrio emocional e reintegram-se na sociedade com confiança, enquanto fortalecem laços familiares. Não espere mais para dar este passo essencial rumo à recuperação e bem-estar.

